quarta-feira, 15 de março de 2023

SEM AÇÚCAR


Terezinha Malaquias


Estou num processo de vida muito curioso, talvez interessante. Começo uma tentativa de me abrir para mim mesma e acolher-me.


Tenho olhado mais para dentro de mim do que para fora. Mais fundo do que na superfície. Encaro com medo, ora com coragem, todas as pessoas que eu sou. Todas as mulheres que há em mim. Sou muitas e os sentimentos se misturam como dança improvisada. Às vezes coreografada.


Encarar as dores, aceitá-las e conviver com elas. Elas moram no meu templo casa. Sinto que de alguma forma, de algum jeito, eu as convidei para morarem em mim.. Elas são chatas, mas são inquilinas da minha habitação.


Hoje de manhã, por volta das 06.00h da manhã nascendo dia, eu me sentei na minha cozinha. Coloquei a cadeira de madeira, de cor clara, bem em frente para a janela grande de vidro que precisa ser limpa quando eu quiser.


Olhei para fora e o meu olhar voltou-se para dentro. Pensei: „já que vocês dores vieram, fiquem à vontade. A casa é nossa. Podemos compartilhá-la“.


Percebi na hora que elas se ajeitaram confortavelmente, como eu nunca tinha visto antes. Sorri

aliviada. Sabia que a nossa convivência seria um desafio diário, carregado de afeito e respeito, mas sem açúcar.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Finitude

FINITUDE

Quando tudo acabar
A essência ficará
No coração da memória
Para sempre!

When everything ends
The essence will remain
In the heart of memory
Forever!

@terezinhamalaquias

Obrigada, Danke, Thanks: @claresommah , @genivaldo_amorim Gerhard Borchert, Maria da Graça Silva e Tayna Pacheco

#terezinhamalaquias
#videoperformance
#performanceart
#performance
#performer
#performerin

segunda-feira, 4 de julho de 2022

O CARTOMANTE OU PROSEADOR

 O Cartomante ou Proseador


Autora: Terezinha Malaquias

Voltei do ensaio da peça de teatro cantarolando felicidade que só eu ouvia. Desci no meu ponto de ônibus sozinha.
De repente na calçada estreita surgiu como que por encantamento um casal à minha frente.
Pensei e agi mais rápido ainda. Fui para a rua. Ela, ele e eu estávamos sem máscaras.
O homem me olhou e perguntou? Você tem medo do (corona) vírus? Somos saudáveis.
— Sem graça e com um pouco de vergonha falei: fui para a rua, porque a calçada é muito estreita para nós três.
Ele: “Eu vi o medo nos seus olhos”.
Minha vergonha cresceu, e perguntei: o senhor é cartomante?
Ele: “Sou sim, vejo tudo”.
Eu: Haha, então eu gostaria de saber quais são os números da (loto) para a próxima semana?
Ele: Sei, mas não vou contar, jovem senhora. Bom domingo e tchau!
Eu: Muito obrigada! Igualmente!
Ao entrar em no meu Lar, eu ainda tinha um sorriso feliz estampado  meu rosto.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

SORVETE, BICICLETA, VERÃO NA PRIMAVERA E PORTUGUÊS

 SORVETE, BICICLETA, VERÃO NA PRIMAVERA E PORTUGUÊS

Autora: Terezinha Malaquias


Saí cedo de casa para ir a uma consulta com o meu ortopedista. Tenho ido com muita frequência no consultório dele. Além dos meus ombros, os meus joelhos têm doído muito nos últimos meses. Percebo a passagem do tempo chegando rápido demais. Não sei se gosto. Mas agora é assim.

Depois da consulta fui caminhando para o meu ateliê. No caminho vi muitas pessoas a pé ou de bicicleta. Um homem passou por mim na sua Bike cantarolando bem alto uma música italiana. Ele parecia feliz. Pensei: o calor dos 30 graus de hoje muda muito o meu humor. Talvez mude o dele também. Para melhor! Sou tropical e sinto muita falta do sol e do calor do Brasil, aqui em Freiburg. Na cidade que vim morar por amor ao homem que conheci no Brasil.

Um pouco depois das 14h voltei para casa e preparei muitos detalhes para a exposição que farei amanhã ao ar livre. No meio das gramas e das árvores. Estou ansiosamente feliz!
Às 20:35 saí novamente para ir ao atelier buscar algumas obras de arte e pegar o meu cavalete. Escolhi esse horário porque o ônibus e o bonde ficam mais vazios. Eu precisava de mais espaço e tranquilidade para transportar o meu trabalho.

Já na volta, o relógio da torre marcava 21h20 e ainda estava um pouco claro. Vejo muitas pessoas pedalando suas bicicletas. Passa um casal que parecia simpático. Ele empurra a bicicleta com uma mão. Na outra segura um sorvete que me deixou cheia de vontade. A mulher que estava com ele também tinha um sorvete numa das mãos. Conversavam e riam alegremente.

O bonde chegou e entrei com calma. Três pontos depois desci para pegar outro bonde ou um ônibus. No ponto, tive a sensação de que tinha ouvido alguém falar português de verdade. Muitas vezes penso que ouvi português, mas, na verdade, não é. Hoje no dia de verão na primavera, dia de sorvete e cantoria, era o meu português brasileiro acariciando os meus ouvidos e sensações. O melhor, era uma querida amiga que falava ao telefone o nosso idioma, mãe.
Um dia ensolarado, com o céu azul encerrava uma noite iluminada de paz pela luz do dia que ainda iluminava um pouco antes das 22h quando cheguei no meu Lar.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

ERA ASSIM

Autora: Terezinha Malaquias

No fogão á lenha 
Mamãe preparava o nosso almoço
No domingo
Era especial
Tinha arroz 
Feijão bem temperado
Frango ensopado
Angú de milho verde
Salada de alface e tomate
A bebida era água natural
Que vinha diretamente da mina
Com gotinhas de limão amarelo
A sobremesa era goiabada com queijo minas
Das minhas Minas Gerais
Na minha terra natal
Frutal
Na casa onde nasci
O quintal era de terra batida
Nossa casa era toda cor de rosa
Todas as noites meus pais
 Se sentavam na calçada 
 Os amigos iam chegando
As comadres e os compadres também
As crianças brincavam seguras na rua
Ás vezes davam voltas no quarteirão
E os adultos sem nenhuma preocupação
Continuam a prosear
Sobre coisas simples, como o luar
A saudade é grande
Rasga meu coração




DELICADEZA

 DELICADEZA

Autora: Terezinha Malaquias.
20h09
Uma mulher caminha à margem do rio. Ela acabou de sair do seu trabalho. Usa roupas pretas e uma echarpe com tons azuis e verde. Botas de cor caramelo.
Uma chuva fina e gelada do mês de abril está caindo sobre o seu guarda chuva cor de rosa.
Ela está muito reflexiva sobre a vida e o momento atual. Mas está bem e feliz. Tem tanta luz que se pode ver da cabeça até seus pés que caminham firmes.
Uma moça bem jovem passa pela mulher. Caminha em direção contrária. Tem a cabeça baixa e parece carregar uma tristeza pesada pelo corpo todo.
20h21
A mulher abre a porta do seu prédio (que não tem porteiro). Sobe até o quarto andar pelo elevador.
20h23
Abre a porta do seu Lar. O marido ainda está preparando aulas para a manhã seguinte. Ele começa a trabalhar bem cedo.
Ela vai para a cozinha terminar de fazer o jantar feito a quatro mãos hoje.
Enquanto a comida termina de se fazer sozinha no forno, ela senta para escrever. Tem essa mania de escrever tudo e sempre. Tem gente que pensa que ela é meio doída da cabeça. Nasceu com desejo a arte e da escrita. Vê beleza e poesia onde ninguém vê.
Às 21h10
O despertador toca avisando que a comida está pronta. O marido pergunta:" Amor quer que eu faça o seu prato"? Ela responde:"Ja"/sim meu amor"!
21h15
O marido traz o prato feito. Ela agradece o pão de cada dia e a delicadeza!






segunda-feira, 21 de março de 2022

COSTURA DA SAUDADE



Na mesa de trabalho, há um lindo guardanapo feito de retalhos coloridos, que eu ganhei de uma amiga, na última vez que estive em São Paulo. A amada professora Kazuyo. Sobre ele estão duas fatias de pão integral com manteiga, uma fatia de queijo amarelo e uma xícara de café com leite de aveia, sem açúcar. 

O que nós não vemos é a saudade contida nesse simples café da manhã recheado de lembranças, a memória interna que dança no coração da nostalgia. O guardanapo foi escolhido com delicadeza e propósito porque hoje, mais do que ontem, a saudade grita dentro do meu corpo inteiro, ela berra em meu ser. Neste pano, pedaços de histórias são unidos com as linhas do amor e do afeto. 

A lembrança da costura da minha mãe, assim como ela, segue eternizada em mim. Nos tempos mais difíceis, mamãe fazia as nossas roupas à mão: blusas, vestidos, calças, camisas, saias... 

O pão era feito em casa, no forno à lenha. Em tempos melhores, as roupas eram costuradas à máquina. Depois começamos a adquiri-las em lojas, muitas vezes à prestação. Os pães passaram a ser comprados.

 São Paulo sempre teve inúmeras padarias, perfumadas de sabores. Os seus cheiros povoam os meus sentidos, sensações e sentimentos que me acompanham desde o comecinho da minha adolescência até hoje. Sim, eu ainda sinto os seus aromas impregnados em mim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

ELA ESPERANÇOU

Da janela da cozinha ela olhava lá fora. Via o vazio que havia entre o vento e as árvores sem folhas. Era inverno e as folhas sempre caem já no outono.
O olhar dela caminhou lento e quase sem energia, acompanhando um pequeno movimento que tinha numa árvore ainda úmida da neblina da última noite.
Era um minúsculo pássaro azul e verde que voava miúdo. Do olhar da mulher de quarenta anos felizes antes, reascendeu um brilho.
Ela esperançou novamente. Desistiu de morrer.
Terezinha Malaquias
@terezinhamalaquias


 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

DO JEITO DA GENTE - Resenha



 RESENHA

Por Elen Arcangelo

“Do jeito da gente”, de Terezinha Malaquias, é a perfeita junção de uma obra infantil,
lúdica e também muito consciente. A história é narrada em primeira pessoa por Alice, uma
adorável garota de dez anos que vive em São Paulo com seus pais e sua irmãzinha Thaís, que
nos conta um pouco do seu cotidiano: seu dia-a-dia na escola, seus passeios favoritos e a
convivência com a sua família. Por ter uma criança como narradora, o livro ganha um nível de
personalidade muito forte e aumenta a conexão dos(as) pequenos(as) com a obra, como se
tivessem ganhado uma nova amiga, ao mesmo tempo, a linguagem simples e descontraída
torna a leitura agradável e acessível para todos(as). Num complemento perfeito e
acrescentando charme e delicadeza, a obra é permeada por lindas ilustrações aquareladas:
tanto a Alice quanto seus mais diversos colegas, sua família e seus lugares prediletos são
representados de maneira bela e alegre.
O ponto mais interessante do livro são as análises e percepções da Alice sobre o
mundo que a cerca, como quando ela diz que cada coleguinha é diferente (baixos ou altos,
com cabelos compridos ou curtos, olhos verdes ou castanhos...), mas que, na verdade, todos
somos iguais. Esse é o tipo de situação com a qual toda a criança irá se deparar, e a conclusão
da Alice é uma ótima introdução para abordar temas como o respeito, a inclusão e a
igualdade, que são cruciais para a formação de pessoas solidárias e empáticas.
O livro dá uma forte base para que as crianças possam pensar sobre o tema a partir
de suas próprias vivências. Por isso, ao final, os leitores são convidados a contar suas
experiências nas páginas como uma conversa entre a Alice e seus colegas. É muito importante
ressaltar que o livro também trata sobre o bullying e promove a valorização das crianças
através de suas próprias características, como por exemplo o cabelo cacheado dos negros. A
representatividade, portanto, não é um conceito que passa batido pela leitura, mas somos
contemplados com trechos que exaltam a importância da nossa auto-estima.
O fato do livro ser bilíngue, porém ter um discurso bastante simples, torna-o muito
útil como uma ferramenta para apresentar uma nova língua às crianças. A comparação entre
um idioma e outro pode ser feita de maneira muito clara e por isso, a obra é uma excelente
facilitadora na compreensão do texto em língua estrangeira.
Por fim, “Do jeito da gente” é uma obra multifacetada que nos dá base para abordar
diversos assuntos com os(as) meninos(as) e por isso é altamente recomendada para quem
procura literatura infantil de qualidade.

Autora: Terezinha Malaquias
Ilustrações: Sandra Sampaio Rodrigue
Olimalabo Verlag Editora
Ano da publicação: 2021
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

SIGAMOS

Ontem, 14/05/2020, fez um mês que eu não saio de casa para trabalhar fora. Tenho tido uma rotina tranquila e em paz. De verdade  Mas não estou feliz pq é impossível ser feliz nesse momento com tantas pessoas doentes em suas casas, internadas em hospitais, tem aquelas pessoas que precisam ir para o hospital mas não têm acesso a ele. E inúmeras mortes ao redor do mundo provocadas pelo covid 19. Quanta dor, quanta tristeza. É horrível me sentir impotente diante de todo esse sofrimento. Quem já teve a doença e sofre com o preconceito e a maldade de quem ainda não ficou doente. Quem morreu sozinha/sozinho e sem um velório digno com a presença da família, amigos, abraços, beijos, aconhego, colo tão necessário em momentos de dor. Principalmente na hora da morte. Não se pode despedir de quem se ama. Não se pode ser consolada/consolado presencialmente. Mas ainda é permitido chorar, chorar, chorar.

Quando tudo isso vai passar ainda não sabemos. O fato é que estamos vivendo o momento que a terra literalmente parou e estamos perdidas/perdidos sem saber para onde caminhar e nem como caminhar. Como continuar?

Cada dia é um novo dia. Estou celebrando a cada novo amanhecer, a vida e a saúde da minha família, das minhas amigas, dos meus amigos, de gente que eu não conheço e provavelmente nunca vou conhecer. Mas sei que eu em algum lugar do mundo milhões de pessoas acordaram saudáveis. E a vida continua mesmo na dor, na doença e na tristeza. Sigamos até quando der.

RESISTÊNCIA


   RESISTÊNCIA

Autora: Terezinha Malaquias

Na volta para casa carregados de compras do supermercado, meu marido e eu vimos na parede de uma casa vizinha a nossa, essa rosa.

Normalmente eu passo por ela com mais frequência, pq fica no caminho para eu pegar o bonde.
Anualmente faço inúmeras fotos desse pé de roseiras quase sempre carregado.

Mas agora é inverno e os dias são bem frios por aqui.

A rosa estava lá, sozinha e embelezando a estação fria e com pouco sol. Ela me fez parar e contemplar sua beleza única e resistente.

Ela estava lá para nos lembrarmos que 2020 não foi um ano fácil. Foi muito triste e cruel para muitas pessoas. Milhares delas no mundo não resistiram e perderam suas vidas para o vírus.

Milhares perderam seus trabalhos. Tiveram seus salários que já era pouco, reduzidos. E a fome aumentou no mundo. Assim como pessoas sem teto se espalham pelas cidades sem proteção. Sem moradia, mesmo sendo direito de todas/todos nós.

E com a pandemia, muitas mulheres foram mortas por seus companheiros ou ex. Essa estatística tem que mudar. Nenhuma mulher merece ser morta por questão de gênero.

A vida feminina não é propriedade de nenhum homem. Quer seja ele pai, amigo, amante, desconhecido, marido, ficante... A vida é só dela.

É preciso educar nossa sociedade, sobretudo nossas crianças e jovens. Precisamos aprender que ninguém é dona/dono da outra vida. Só assim, vamos reduzir essa taxa absurda de mortes diárias. É necessário para com a violência urgente. E valorizar a vida que é única.

E o nome da rosa solitária, passou a ser Resistência.

A imagem pode conter: planta, flor, atividades ao ar livre e natureza
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

NATAL / 2020


 


NATAL / 2020


Eu já era bem minimalista quando morava no Brasil. Mas desde que vim morar em terras germânicas, me tornei cada vez mais. E o melhor de tudo, estou amando a mulher eu sou. Sinto-me melhor todos os anos e quero continuar nessa linha de busca por conhecimento e aprendizado enquanto eu estiver nessa terra.

Esse ano que foi atípico para o mundo com a presença do covid19, ameaçando e levando vidas de todas as idades e em toda parte do planeta, estamos contando os dias para que ele termine. E que o ano novo, nova década nos dê esperança, amor incondicional, cura, fé, justiça.

Meu marido e eu optamos por não viajarmos nesse momento e passamos só nós dois a noite de Natal e hoje o dia de Natal. Aqui em casa, não falta bons livros para lermos e no meu caso, estórias e histórias para escrever.

Já na segunda feira, eu perguntei para o Gerhard, (meu marido), o que faríamos para o nosso jantar na noite do dia 24/12?! Ele respondeu sem pensar. „Não precisa ser nada especial“. De verdade eu já esperava por essa resposta. Afinal, eu o conheço um pouquinho.

Fomos juntos na terça feira ao supermercado e enchemos o carrinho de compras e nossas mochilas também. Não temos carro porque não queremos e não precisamos. Quando realmente um carro se faz necessário em nossas vidas, o Gerhard aluga por algumas horas, dia inteiro ou alguns dias, quando fazemos uma viagem.

Bem, voltando às compras moramos a mais ou menos um quilômetro de distância do supermercado. E é bem tranquilo ir e voltar a pé carregando-as.


JANTAR DO DIA 24/12/2020


Planejamos jantar cedo, entre 19.30-20.00 horas. E pontualmente 20H nos sentamos à mesa para o nosso banquete saudável e delicioso. Sopa de abóbora amarela (comum por aqui no inverno alemão). Fiz com leite de coco. E uma torta de espinafre, alho poró, queijos, farinha de amêndoas e camarão. Ficou leve e muito gostoso. Era o que queríamos. Pouca comida e leveza. Sobremesa tinha chocolate 85% cacau para mim. Eram pequenos e finos bomboms. De presente eu ganhei um concerto de violão feito pelo meu amor que toca lindamente e emociona quem ouve. Uma música que ele compôs.

A meia noite brindamos o aniversariante. Eu especialmente rezei, rezei e rezei agradeci-o.

Nos sentamos no sofá para enviar mensagens para nossa família brasileira e alemã e, responder/agradecer outras tantas recebidas.

Por volta das 02.00 da manhã desligamos as luzes do nosso Lar e embalamos no sono. Antes de dormir eu, ainda consegui meditar por alguns minutos. Foi meditação-agradecimento.

Hoje 25/12, o dia acordou-me um por volta das 09.00H. Olhei para a janela e vi que o dia estava escuro, sem sol. A temperatura era zero grau. Olhei para dentro do meu Lar e vi luzes acessas e percebi o quanto eu tenho para agradecer. E o quanto eu tenho para rezar e pedir ao Criador pelas famílias enlutadas. Que perderam seus entes queridos nesse momento e não puderam sequer receber um abraço, um beijo de consolo. Que não puderam e não podem ter um colo físico nesse ano. Que o Criador, Universo possa acolher nos braços quem partiu e beijar o coração de quem ficou com a saudade!


Feliz Natal, e que ele seja cada vez mais simples, amoroso, respeitoso e solidário!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Vou Jogar os Quilos Extra ao Vento













VOU JOGAR OS QUILOS EXTRA AO VENTO






Autora: Terezinha Malaquias


No primeiro Natal sem meu pai, minha mãe teve a ideia de convidar todas as irmãs dele, e sobrinhas/sobrinhos para o nosso triste almoço de natal. Afinal fazia um mês e dois dias que meu pai havia falecido.

De sobremesa minha saudosa tia Maria e eu, tomamos um quilo de sorvete na tentativa de adoçar a dor que gritava em nós.

No mesmo dia 25/12/2003, viajei por volta das 18H, de São Paulo, onde morava até Águas da Prata, Minas Gerais.

Na manhã seguinte comecei a fazer o Caminho da Fé, que termina na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, estado de São Paulo.




Foi muito incrível caminhar e a sensação indescritível que eu sentia, um passo após o outro, e fui com meu grupo passando por sítios, fazendas, vilarejos e cidades. Mesmo sem ter me preparado antes consegui caminhar sem dificuldade alguma. E mal acreditava nos passos dados, rumo ao destino final.




Na Basílica, participei junto com meus companheiros de andanças da missa dos peregrinos. Antes porém, telefonei para minha mãe. Pedi também para que o Eduardo e o Valdir falassem com minha com ela também. Eu chorava o tempo toda tamanha emoção por ter conseguido. E todos os dias eu sentia a presença do meu pai que era um homem do campo, como se ele caminhasse ao meu lado.




Foram treze dias de jornada que fortaleceu muito o meu interior. Amo caminhar em grupo mas, amo mais ainda caminhar comigo mesma. Em silêncio, meditação e oração, do meu jeito, à minha maneira.Contemplando as matas, o cântico dos pássaros, os animais em meio a natureza, o nascer e o pôr do sol...




Depois que voltei para casa, fui com minha mãe Dona Ozita e minha irmã Célia, para um SPA na região de Itú, interior de São Paulo. Já na entrada da recepção optei por comer apenas 600 calorias por dia. Fazer ginástica na academia que tinha lá e caminhar ao redor do SPA. E nas horas vagas ainda ia para a hidroginástica.




No terceiro dia, entendi que precisava comer mais. Meu corpo necessitava de mais calorias. E quando fui para o café da manhã, pedi para mudar para 900 calorias. E nem tive paciência ou vontade de esperar a nutricionista chegar. Estava faminta mesmo.




E nesse mesmo dia as meninas da minha família, que estavam me acompanhando resolveram me surpreender. Elas saíram de carro para conhecer a cidade. E eu não as acompanhei. Na volta, minha irmã e minha mãe, me ofereceram docinhos de leite enrolados na palha que elas tinham comprado.




A Célia, apareceu com um saquinho de doces e uma carinha de criança arteira e me perguntou se eu queria experimentar!?




Respondi que não. Eu estava me esforçando tanto para jogar alguns quilos extra fora e, não aceitaria comer "porcarias doces" e perder todo o meu trabalho suado nas atividades físicas.




Cá entre nós, confesso que sentia muita vontade de dar umas boas palmadas no bumbum da Célia. Bom, ela estava merecendo.




Dezessete anos depois, eu me lembro desses dias e dos docinhos de leite enrolados na palha e quase me arrependi de não ter comido-os. Perdi a chance de saborear aquelas delícias ao lado de duas mulheres referências na minha vida. O que eu sei hoje é que na próxima vez que alguém me oferecer delícias em forma de comida, vou comer em homengem à vida. E os quilos extra eu vou jogá-los ao vento.

#terezinhamalaquias

terça-feira, 3 de novembro de 2020


 As janelas aqui na Alemanha são bem grandes para entrar  mais luz do sol.

Hoje de manhã cedo, eu vi da janela da minha cozinha, meu vizinho do oitavo e último andar. 


Na mão esquerda ele puxava um carrinho de compras. E na direita tinha uma bengala para ajudar nos passos que agora caminham mais devagar.


Pensei na finitude da vida. Ela pode chegar a qualquer momento e idade.


Saí da janela um pouco triste e pensativa. Fui fazer o café da manhã. Afinal o dia acordou mais uma vez. Sem luz do sol, mas a minha luz interna ainda está em mim.


#terezinhamalaquias

quinta-feira, 30 de julho de 2020

BRASILEIRXS ESTRANGEIRXS COMO EU

BRASILEIRXS ESTRANGEIRXS COMO EU! É um projeto com o qual eu sonho há pelo menos cinco anos. Muito bem!? Em fevereiro desse ano, eu resolvi que começaria a realizá-lo a partir do mês de março. Aí veio a pandemia e o mundo parou. Parei, mas nunca esqueci o quanto desejo fazê-lo e partilhar com as minhas conterrâneas/ os meus conterrâneos, que assim como eu, vivem em terras estrangeiras. Sou uma pessoa completamente apaixonada, encantada pela história da outra pessoa. Acredito que cada anônima/anônimo, é um ser único, especial e contadora nata/ contador nato. E eu tenho olhos, ouvidos e coração bem abertos para escutar essas histórias, esses relatos. Começo sábado agora, 01/08/2020, na minha fanpage no facebook, terezinhamalaquiasperformer e, em seguida vou postar no meu canal do YouTube, TereMalaquias. O meu primeiro convidado especial é o Fabiano Matos, um brasileiro que mora na mesma cidade que eu moro, na nossa linda Freiburg. Ele tem uma filha de 5 anos, que se chama Yara. É arte-educador e apresentou o programa brasileiro na rádio Dreyeckland Espaco Aberto. Criou o projeto Sozial Kunst (projeto de artes visuais). Torçam por mim, para que esse projeto desejado e necessário dê certo e que eu possa encontrar muitas pessoas interessantes, amorosas, gentis e com vontade de nos contar quem elas são e a que vieram na vida