sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

SIGAMOS

Ontem, 14/05/2020, fez um mês que eu não saio de casa para trabalhar fora. Tenho tido uma rotina tranquila e em paz. De verdade  Mas não estou feliz pq é impossível ser feliz nesse momento com tantas pessoas doentes em suas casas, internadas em hospitais, tem aquelas pessoas que precisam ir para o hospital mas não têm acesso a ele. E inúmeras mortes ao redor do mundo provocadas pelo covid 19. Quanta dor, quanta tristeza. É horrível me sentir impotente diante de todo esse sofrimento. Quem já teve a doença e sofre com o preconceito e a maldade de quem ainda não ficou doente. Quem morreu sozinha/sozinho e sem um velório digno com a presença da família, amigos, abraços, beijos, aconhego, colo tão necessário em momentos de dor. Principalmente na hora da morte. Não se pode despedir de quem se ama. Não se pode ser consolada/consolado presencialmente. Mas ainda é permitido chorar, chorar, chorar.

Quando tudo isso vai passar ainda não sabemos. O fato é que estamos vivendo o momento que a terra literalmente parou e estamos perdidas/perdidos sem saber para onde caminhar e nem como caminhar. Como continuar?

Cada dia é um novo dia. Estou celebrando a cada novo amanhecer, a vida e a saúde da minha família, das minhas amigas, dos meus amigos, de gente que eu não conheço e provavelmente nunca vou conhecer. Mas sei que eu em algum lugar do mundo milhões de pessoas acordaram saudáveis. E a vida continua mesmo na dor, na doença e na tristeza. Sigamos até quando der.

RESISTÊNCIA

   RESISTÊNCIA

Autora: Terezinha Malaquias

Na volta para casa carregados de compras do supermercado, meu marido e eu vimos na parede de uma casa vizinha a nossa, essa rosa.

Normalmente eu passo por ela com mais frequência, pq fica no caminho para eu pegar o bonde.
Anualmente faço inúmeras fotos desse pé de roseiras quase sempre carregado.

Mas agora é inverno e os dias são bem frios por aqui.

A rosa estava lá, sozinha e embelezando a estação fria e com pouco sol. Ela me fez parar e contemplar sua beleza única e resistente.

Ela estava lá para nos lembrarmos que 2020 não foi um ano fácil. Foi muito triste e cruel para muitas pessoas. Milhares delas no mundo não resistiram e perderam suas vidas para o vírus.

Milhares perderam seus trabalhos. Tiveram seus salários que já era pouco, reduzidos. E a fome aumentou no mundo. Assim como pessoas sem teto se espalham pelas cidades sem proteção. Sem moradia, mesmo sendo direito de todas/todos nós.

E com a pandemia, muitas mulheres foram mortas por seus companheiros ou ex. Essa estatística tem que mudar. Nenhuma mulher merece ser morta por questão de gênero.

A vida feminina não é propriedade de nenhum homem. Quer seja ele pai, amigo, amante, desconhecido, marido, ficante... A vida é só dela.

É preciso educar nossa sociedade, sobretudo nossas crianças e jovens. Precisamos aprender que ninguém é dona/dono da outra vida. Só assim, vamos reduzir essa taxa absurda de mortes diárias. É necessário para com a violência urgente. E valorizar a vida que é única.

E o nome da rosa solitária, passou a ser Resistência.

A imagem pode conter: planta, flor, atividades ao ar livre e natureza
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

NATAL / 2020


 


NATAL / 2020


Eu já era bem minimalista quando morava no Brasil. Mas desde que vim morar em terras germânicas, me tornei cada vez mais. E o melhor de tudo, estou amando a mulher eu sou. Sinto-me melhor todos os anos e quero continuar nessa linha de busca por conhecimento e aprendizado enquanto eu estiver nessa terra.

Esse ano que foi atípico para o mundo com a presença do covid19, ameaçando e levando vidas de todas as idades e em toda parte do planeta, estamos contando os dias para que ele termine. E que o ano novo, nova década nos dê esperança, amor incondicional, cura, fé, justiça.

Meu marido e eu optamos por não viajarmos nesse momento e passamos só nós dois a noite de Natal e hoje o dia de Natal. Aqui em casa, não falta bons livros para lermos e no meu caso, estórias e histórias para escrever.

Já na segunda feira, eu perguntei para o Gerhard, (meu marido), o que faríamos para o nosso jantar na noite do dia 24/12?! Ele respondeu sem pensar. „Não precisa ser nada especial“. De verdade eu já esperava por essa resposta. Afinal, eu o conheço um pouquinho.

Fomos juntos na terça feira ao supermercado e enchemos o carrinho de compras e nossas mochilas também. Não temos carro porque não queremos e não precisamos. Quando realmente um carro se faz necessário em nossas vidas, o Gerhard aluga por algumas horas, dia inteiro ou alguns dias, quando fazemos uma viagem.

Bem, voltando às compras moramos a mais ou menos um quilômetro de distância do supermercado. E é bem tranquilo ir e voltar a pé carregando-as.


JANTAR DO DIA 24/12/2020


Planejamos jantar cedo, entre 19.30-20.00 horas. E pontualmente 20H nos sentamos à mesa para o nosso banquete saudável e delicioso. Sopa de abóbora amarela (comum por aqui no inverno alemão). Fiz com leite de coco. E uma torta de espinafre, alho poró, queijos, farinha de amêndoas e camarão. Ficou leve e muito gostoso. Era o que queríamos. Pouca comida e leveza. Sobremesa tinha chocolate 85% cacau para mim. Eram pequenos e finos bomboms. De presente eu ganhei um concerto de violão feito pelo meu amor que toca lindamente e emociona quem ouve. Uma música que ele compôs.

A meia noite brindamos o aniversariante. Eu especialmente rezei, rezei e rezei agradeci-o.

Nos sentamos no sofá para enviar mensagens para nossa família brasileira e alemã e, responder/agradecer outras tantas recebidas.

Por volta das 02.00 da manhã desligamos as luzes do nosso Lar e embalamos no sono. Antes de dormir eu, ainda consegui meditar por alguns minutos. Foi meditação-agradecimento.

Hoje 25/12, o dia acordou-me um por volta das 09.00H. Olhei para a janela e vi que o dia estava escuro, sem sol. A temperatura era zero grau. Olhei para dentro do meu Lar e vi luzes acessas e percebi o quanto eu tenho para agradecer. E o quanto eu tenho para rezar e pedir ao Criador pelas famílias enlutadas. Que perderam seus entes queridos nesse momento e não puderam sequer receber um abraço, um beijo de consolo. Que não puderam e não podem ter um colo físico nesse ano. Que o Criador, Universo possa acolher nos braços quem partiu e beijar o coração de quem ficou com a saudade!


Feliz Natal, e que ele seja cada vez mais simples, amoroso, respeitoso e solidário!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Vou Jogar os Quilos Extra ao Vento













VOU JOGAR OS QUILOS EXTRA AO VENTO






Autora: Terezinha Malaquias


No primeiro Natal sem meu pai, minha mãe teve a ideia de convidar todas as irmãs dele, e sobrinhas/sobrinhos para o nosso triste almoço de natal. Afinal fazia um mês e dois dias que meu pai havia falecido.

De sobremesa minha saudosa tia Maria e eu, tomamos um quilo de sorvete na tentativa de adoçar a dor que gritava em nós.

No mesmo dia 25/12/2003, viajei por volta das 18H, de São Paulo, onde morava até Águas da Prata, Minas Gerais.

Na manhã seguinte comecei a fazer o Caminho da Fé, que termina na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, estado de São Paulo.




Foi muito incrível caminhar e a sensação indescritível que eu sentia, um passo após o outro, e fui com meu grupo passando por sítios, fazendas, vilarejos e cidades. Mesmo sem ter me preparado antes consegui caminhar sem dificuldade alguma. E mal acreditava nos passos dados, rumo ao destino final.




Na Basílica, participei junto com meus companheiros de andanças da missa dos peregrinos. Antes porém, telefonei para minha mãe. Pedi também para que o Eduardo e o Valdir falassem com minha com ela também. Eu chorava o tempo toda tamanha emoção por ter conseguido. E todos os dias eu sentia a presença do meu pai que era um homem do campo, como se ele caminhasse ao meu lado.




Foram treze dias de jornada que fortaleceu muito o meu interior. Amo caminhar em grupo mas, amo mais ainda caminhar comigo mesma. Em silêncio, meditação e oração, do meu jeito, à minha maneira.Contemplando as matas, o cântico dos pássaros, os animais em meio a natureza, o nascer e o pôr do sol...




Depois que voltei para casa, fui com minha mãe Dona Ozita e minha irmã Célia, para um SPA na região de Itú, interior de São Paulo. Já na entrada da recepção optei por comer apenas 600 calorias por dia. Fazer ginástica na academia que tinha lá e caminhar ao redor do SPA. E nas horas vagas ainda ia para a hidroginástica.




No terceiro dia, entendi que precisava comer mais. Meu corpo necessitava de mais calorias. E quando fui para o café da manhã, pedi para mudar para 900 calorias. E nem tive paciência ou vontade de esperar a nutricionista chegar. Estava faminta mesmo.




E nesse mesmo dia as meninas da minha família, que estavam me acompanhando resolveram me surpreender. Elas saíram de carro para conhecer a cidade. E eu não as acompanhei. Na volta, minha irmã e minha mãe, me ofereceram docinhos de leite enrolados na palha que elas tinham comprado.




A Célia, apareceu com um saquinho de doces e uma carinha de criança arteira e me perguntou se eu queria experimentar!?




Respondi que não. Eu estava me esforçando tanto para jogar alguns quilos extra fora e, não aceitaria comer "porcarias doces" e perder todo o meu trabalho suado nas atividades físicas.




Cá entre nós, confesso que sentia muita vontade de dar umas boas palmadas no bumbum da Célia. Bom, ela estava merecendo.




Dezessete anos depois, eu me lembro desses dias e dos docinhos de leite enrolados na palha e quase me arrependi de não ter comido-os. Perdi a chance de saborear aquelas delícias ao lado de duas mulheres referências na minha vida. O que eu sei hoje é que na próxima vez que alguém me oferecer delícias em forma de comida, vou comer em homengem à vida. E os quilos extra eu vou jogá-los ao vento.

#terezinhamalaquias

terça-feira, 3 de novembro de 2020


 As janelas aqui na Alemanha são bem grandes para entrar  mais luz do sol.

Hoje de manhã cedo, eu vi da janela da minha cozinha, meu vizinho do oitavo e último andar. 


Na mão esquerda ele puxava um carrinho de compras. E na direita tinha uma bengala para ajudar nos passos que agora caminham mais devagar.


Pensei na finitude da vida. Ela pode chegar a qualquer momento e idade.


Saí da janela um pouco triste e pensativa. Fui fazer o café da manhã. Afinal o dia acordou mais uma vez. Sem luz do sol, mas a minha luz interna ainda está em mim.


#terezinhamalaquias