terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Olhe para mim... Schau mich an...



As fotoperformances diárias de Terezinha Malaquias no Instagram, como conta-gotas, sempre acrescentam novas informações sobre a identidade e os questionamentos da artista, num enriquecimento constante do seu universo. Ora as imagens reforçam signos já mostrados, ora apresentam novos signos que se inserem e se somam a seu cabedal de referências que, aos poucos, vai tomando corpo.

Identidade seria um conceito a ser refletido em suas fotoperformances/autorretratos intituladas(os) "Olhe Para Mim ... Schau Mich An ..." Nelas, a artista, como uma mulher, afro-brasileira, imigrante (ela reside na Alemanha), modelo-vivo, provoca e nos leva a pensar sobre como o nosso olhar distraído, ensimesmado ou autorreferente, pode relegar pessoas ou, até mesmo, grupos sociais a uma espécie de anonimato ou invisibilidade social. A artista usa sempre a hashtag "visibilidade" como uma forma de ressaltar ou reivindicar uma pluralidade no ou do olhar.

Indispensáveis profissionais como os limpadores de ruas (ou garis), vendedores ambulantes e moradores de rua são vítimas constantes de nosso olhar distraído e/ou preconceituoso. Sim, distração e esquecimento podem ser indícios ou podem acarretar preconceito. Se o olhar de alguém despreza, os outros também podem, ou já estão, fazendo isso. 

Todo ser humano é um contador de histórias, um ator social, e muitas vezes nos recusamos a "ouvir" ou ver (assistir) as histórias que estão nos contando no seu dia-a-dia. Embora não se trate de pararmos e conversarmos com cada pessoa, faz-se necessário refletirmos, sem qualquer preconceito, que nada pode nos separar de ninguém. Que todos somos seres humanos, sofremos e queremos ser felizes.

Num mundo onde proliferam muros, o olhar distraído, esquecido e, consequentemente, preconceituoso pode ser o mais perigoso destes muros.

Em suas fotoperformances/autorretratos a artista se desdobra (ou se multiplica). Ora está envolta em tecidos supercoloridos ou dourados que remetem ou reiteram sua africanidade e brasilidade e comentam a sua condição feminina. Ora, seus objetos ou wearable art parecem se fundir ou se somar à sua pele, potencializando assim a natureza corpórea da artista como performer e problematizando suas funções de modelo-vivo. Sim, porque o modelo-vivo, paradoxalmente, pode ser uma vitima, também, da invisibilidade. Em seu afã de retratar um ser humano com os detalhes que mais chamam sua atenção, alunos de escolas de arte podem esquecer que, diante deles, está alguém que carrega muitas histórias. Um corpo vivo, repleto de narrativas, e não um corpo inanimado, morto.

Memória e esquecimento podem se imbricar, ou se chocar, quando nos lembramos (ou esquecemos) que cada ser humano é depositário de inúmeras histórias. E que elas não só pertencem a cada indivíduo, mas a humanidade. Olhar as pessoas com compreensão significa compartilhar essas narrativas, ainda que possam ser as mais tristes e dolorosas.

Os muros da incompreensão devem ser derrubados através do nosso olhar compassivo. 

As imagens de Terezinha Malaquias evocam um sem-número de narrativas. Voos rasantes (abordagens mais particulares ou específicas, em que podem ficar mais claras referências imagísticas pertinentes às suas funções como modelo-vivo, por exemplo) ou panorâmicos (quando a artista aborda questões mais abrangentes, com imagens que podem se referir ao universo feminino de maneira geral) que nos remetem à história da arte ocidental, brasileira ou africana. Ou, ainda, aspectos particulares e gerais perfeitamente organizados numa só imagem. Cada ser humano pode carregar suas histórias particulares, embora elas possam pertencer a todos.



Através dos já mencionados tecidos, objetos ou wearable art, a performer pode se referir (mesmo que não esteja plenamente consciente disso) a ícones da arte moderna como Alexander Calder, quando faz uso do arame para criar objetos que se envolvem em seu corpo. A Marcel Duchamp e seus ready-mades, ao Dadaísmo e à Pop Art, quando se apropria de objetos, como rolos de papel higiênico (com os quais cria megacolares), escovas, cabides, utensílios de cozinha como facas e espátulas, violão, etc. Ou a Arthur Bispo do Rosário com objetos/wearable art que podem se referir ao seu particular modus operandi de escrever/desenhar através do bordado. Sobre este mix de referências paira um perfume tropicalista, certa atmosfera de geléia geral brasileira. 

A longa sequência de fotoperformances em que faz uso do cabide, pode aludir à condição da mulher, na sociedade contemporânea capitalista, como consumidora e nem sempre como produtora ou, em particular, ao seu trabalho como modelo-vivo. Flores junto, ou não, a cabides, assim como signos relacionados ao cotidiano doméstico e à cozinha como garfos, facas e espátulas, podem evocar comentários críticos sobre estereótipos ligados à mulher ou, ainda à artista como modelo-vivo. A recorrência ao uso de flores não se restringe apenas a seu papel decorativo, mas pode evidenciar sua força como elemento bem-sucedido em ressaltar e elevar o corpo da performer, numa tentativa de destacar a figura feminina. 

A cor é um elemento essencial nas fotoperformances/autorretratos de Terezinha Malaquias. Seja dos tecidos com tons e estampas vistosas que a envolvem, dos objetos que parecem se fundir a seu corpo, ou das flores que a emolduram. As cores destacam e reforçam suas formas e sua tez negra, evidenciando ainda mais sua beleza. 

Em cada fotoperformance/autorretrato a artista parece reivindicar singularidade ou identidade. Mas não como forma de isolamento, muito pelo contrário, como uma maneira de contribuir com e para a diversidade de histórias. O rico acervo de narrativas precisa sempre ser renovado, reciclado e restaurado. A verdadeira arte nunca é egocêntrica ou egoísta, mas sempre pródiga e bondosa.

Sim, realmente Terezinha Malaquias, com suas fotoperformances/autorretratos, tem provado que sabe contar histórias visuais como modelo de muita vivacidade e beleza.


Onésimo Alves Pereira é artista plástico e fotógrafo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

samara, Performance, Dominik Beller, Morat-Institut, Freiburg i.Br.

Dominik Beller

samara
Performance, 25.Oktober 2015
Morat-Institut für Kunst und Kunstwissenschaft, Freiburg i.Br.

Julia Beller: Bratschenimprovisation
Lars Biermann: Ton
Marianne Hopf: Gemälde
Terezinha Malaquias: Interaktion mit Skulptur
Dominik Beller: Interaktion mit Skulptur, Skulptur

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Menina Coco, Das Cocomädchen

Gente, publiquei meu primeiro livro na Amazon no formato ebook! É composto das minhas memórias e histórias infantis que foram vividas na fazenda junto à minha família. São três histórias curtas mas que transmitem muitas emoções, para crianças grandes e pequenas.
Liebe Leute, ich habe mein erstes Buch im ebook-Format über Amazon veröffentlicht! Es besteht aus meinen kindlichen Erinnerungen und Geschichten, die ich zusammen mit meiner Familie auf dem Bauernhof erlebt habe. Es sind drei kurze Geschichten, die jedoch sehr viele Emotionen herüberbringen, die junge und ältere Kinder berühren sollen. Lasst euch von dem "Portuguese Edition" nicht abschrecken, das Buch wurde auch ins Deutsche übersetzt.

https://www.amazon.de/dp/B073S7WG3N/ref=sr_1_fkmr0_1?ie=UTF8&qid=1499957138&sr=8-1-fkmr0&keywords=menina+coco%2C+das+cocom%C3%A4dchen

terça-feira, 20 de junho de 2017

                                          OLHE PARA MIM...SCHAU MICH AN...       
„Os contornos que delineiam a body art”. O projeto pessoal “Olhe para mim...“ Schau mich an...“ da colega, estudante de escultura na escola Antroposófica Edith Maryon Kunstschule, em Freiburg (Alemanha),atriz, performer, modelo vivo, poeta/escritora e autora do livro Modelo Vivo (Via Lettera Editora) e, vanguarda de estátua viva. Terezinha Malaquias, mulher, negra, brasileira no projeto “Olhe para mim...“ „Schau mich an..“ toma a atitude de representar-se, produzir-se de acordo com o seu imaginário. Ela não se vê retratada e representada como inteligente, criativa e ser o que ela quiser como referência num microcosmo, ao invés, uma representação pejorativa, feia, no macrocosmo. Mais propriamente sua ação traz o feminino, singelo e o contrassenso embatendo o primitivo, canibalesco e predador. Acompanho suas fotos no Instagram, no projeto que a convite dela creia-me indispensável, sou mulher, branca e brasileira, o que no quadro de significações da identidade há uma variedade que sou vista representada. O que Terezinha, na sua pretensão e ambição de artista, tem uma luta inspirada e trabalhada, contornando a construção de sua identidade. Veja, este quadro não pertence somente ao significado proposto por ela, ao qual eu seria a causa da estruturação. Há uma profundidade e grandeza que remete à qualidade não estrutural, nem representativa e, sim a natureza pela expressividade. Institucionalizar Terezinha Malaquias, seria um processo do atraso colonial. A minha estruturação do projeto pessoal “Olhe para mim...“ Schau mich an...“ seria um estúpido racionalismo. Coloco-me dissolvida nas impressões e fruição das fotos do projeto como uma ação que integra o portifólio e identidade dela conjugado ao conceito de body art. O que Terezinha Malaquias faz é incorporar-se de si mesma e transformar-se na própria obra-de-arte. A distinção entre o observador e a visibilidade da artista, cria uma relação de alteridade entre centralidade da imagem e conceito da obra e artista que a relevância do testemunho se traduz no argumento e narrativa da igualdade do lugar comum da invisibilidade.

Renata Bar Kusano é escrivinhadora, atriz, publicitária, performer e poeta.

Die Konturen, die die body art umreißen". Das persönliche Projekt “Olhe para mim... Schau mich an...“ der Kollegin Terezinha Malaquias, Skulpturstudentin in der Anthroposophischen Kunstschule Edith Maryon in Freiburg (Deutschland), Schauspielerin, Performerin, Kunstmodell, Dichterin / Schriftstellerin und Autorin des Buches Modelo Vivo (Via Lettera Verlag) und Vorreiterin der lebenden Statue. Terezinha Malaquias, Frau, Schwarze und Brasilianerin nimmt für sich in Anspruch, sich entsprechend ihrer Fantasie selbst darzustellen und zu erzeugen. Sie selbst sieht sich nicht repräsentiert als eine intelligente, kreative und autonome Frau als Referenz im Mikrokosmos, stattdessen als eine abwertende, hässliche Darstellung im Makrokosmos. Genauer gesagt bringt ihr Werk das Weibliche, Einfache und Unsinnige im Gegensatz zu dem Primitiven, Kannibalischen und Räuberischen hervor. Ich begleite ihre Fotos auf Instagram in einem Projekt, zu dem Sie eine Einladung nicht ausschlagen sollten. Ich bin eine Frau, weiß und Brasilianerin, die es im Rahmen von Bedeutungen der Identität vielfältig gibt, durch die ich dargestellt werde. Terezinha führt in ihrem Anspruch und Ehrgeiz einer Künstlerin einen inspirierten und gestalteten Kampf, der den Aufbau ihrer Identität umrundet. Sehen Sie, dieses Bild hat nicht nur die Bedeutung, die von ihr vorgeschlagen wurde, in der ich die Ursache der Strukturierung wäre. Es gibt eine Tiefe und Größe, die weder auf eine strukturelle noch auf eine repräsentative Qualität verweist, sondern auf die Art des Ausdrucks. Terezinha Malaquias zu institutionalisieren, wäre ein Prozess kolonialer Rückständigkeit. Meine Strukturierung des persönlichen Projekts „Olhe para mim... Schau mich an...“ wäre dummer Rationalismus. Ich stelle mich aufgelöst den Eindrücken und Genüssen der Fotos des Projektes als ein Werk, das ihr Portfolio und ihre Identität integrieren in Verbindung mit dem Konzept der body art. Was Terezinha Malaquias tut, ist sich selbst herauszubilden und zum eigenen Kunstwerk zu werden. Die Unterscheidung zwischen dem Beobachter und der Sichtbarkeit der Künstlerin schafft eine Beziehung von Alterität zwischen Zentralität des Bildes und Konzept von Werk und Künstlerin, die die Relevanz des Zeugnisses in Argumente und in Erzählung von Gleichheit des Alltags der Unsichtbarkeit übersetzt.

Renata Bar Kusano ist Schriftstellerin, Schauspielerin, Werbefachfrau, Performerin und Dichterin.
Tradução/Übersetzung: Marivete Carrera